PARA REFLETIR…

OS PROFESSORES SÃO OS “JUDAS” DA EDUCAÇÃO?

Buscando outros textos para inserir em minhas pesquisas encontrei minha  participação de um dos fóruns integrantes do curso de Especialização em Mídias na Educação da UFRGS, que tratou do uso das TICs- Tecnologias de Informação e Comunicação e que está contextualizada de alguma forma à discussão levantada na formação para professores da rede pública na UNIRITTER.

Ouso transcrever e compartilhar meu texto para pensarmos juntos sobre a situação do sistema de ensino como um todo.

“Ler todas as respostas deste fórum oferece uma oportunidade ímpar de refletir não só sobre o uso das TICs, mas principalmente sobre a falta de coerência nos discursos em nível municipal e estadual e as ações concretas inseridas suas unidades escolares. Olhar as gestões em todas as suas instâncias e, modestamente, opinar sobre isso.

Os depoimentos dos colegas (e meu próprio) dá uma amostragem de como se desenvolvem os olhares sobre cada problematização e a cada “troca de gestores maiores”. É um monta/desmonta, um pode/não pode, um serve/não serve, um verdadeiro “salve-se quem puder”.

Aprende-se nessa caminhada a escolher (acredita-se) o menos pior para nós e  nossos alunos.

E, insisto sempre os mesmos visionários teimosos ou, outros por razões carreiristas futuras, ou pessoais de qualquer ordem, acabam por “empeitar” projetos, busca de aprendizagens e novações para incrementar sua práxis.

É clara a visão do abandono da mantenedora como suporte pedagógico e como intuito motivador ao professorado (pelo menos no que concerne ao estadual do qual faço parte). A presença da mantenedora só se faz sentir, quando alguém da comunidade ou dos professores descontentes “registra” queixas ou vai às mídias fazer alvoroço. Então mandam uma “comissão investigar” o que a escola NÃO está fazendo direito, para “cobrar/punir” e orientar soluções “redentoras” para a situação.
Uma delas é querem que nós, professores e ou gestores, por exemplo,  entremos na casa do aluno e questionemos os pais/responsáveis sobre as atitudes dos filhos, faltas, posturas de incivilidade…etc. Por muito menos, tem alunos e pais que agridem verbal e fisicamente os professores dentro da escola, imagina no “território” deles!

Tem algo nessas “soluções” que não está certo, não está “encaixando”!!

Esta não é a função dos “conselhos tutelares”…(!?)

Usando as teorias de Bourdieu, essas “trocas simbólicas”  não estão funcionando,  pois a classe do magistério não está conseguindo cultivar ou manter o “habitus”   que lhe garanta uma matriz cultural que preserve o seu “status quo” e dessa forma, combalido em suas necessidades, como é peculiar ao “dominado”, vem sofrendo violências simbólicas dia a dia.
O sopro de contemporaneidade que o sistema escolar necessita, no meu modo de ver, não está no colo do magistério, muito menos na sua “falta de vontade “,  como muitos querem fazer crer. Acomodar-se no sistema para implodi-lo, também é uma forma de subverter.

O sistema escolar idealizado, acredito, deveria ser renovado por um conjunto de ações SÉRIAS, em que houvesse a escuta de todas as partes envolvidas e não por uma amostragem daqueles que dominam pelo capital cultural acumulado (teórico) que “pensam” a sala de aula e uma gestão ideais, sem “vivê-las” ou tendo vivido em outros contextos,  desconectados do tempo/espaço escolar real.”

Será que merecemos a pecha de portadores da “síndrome da vitimização” como ouvimos o representante da mantenedora nos auferir, quando da sua resposta ao desagrado verbalizado por um colega de outra escola em relação à crítica contundente e generalizada na mesa de debate em relação à metodologia e ao trabalho dos professores indiscriminadamente?

Eu me pergunto o que éramos nós senão profissionais a  buscar horizontes mais férteis para plantar e colher sementes com esperança de frutos mais doces? E com o que nos deparamos? O desprezo e o descarte de nossas ferramentas e a afirmação da nossa incapacidade de plantar.

Será a nossa leitura sobre ensino-aprendizagem está equivocada?

Não é mais necessário que nossos aprendizes saiam da escola aptos a interpretar, calcular e decodificar a vida?

Não é mais necessário que um ser humano seja composto de valores morais e éticos para conviver em sociedade e em harmonia com o planeta?

 Seremos nós, magistério, os “Judas” do sistema educacional?

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Sobre saletemmartins

Formada pela UFSM - Licenciatura em Educação Artística. Licenciatura em Artes Visuais/UFRGS Especialização em Gestão da Educação/UFRGS Especialização em Mídias na Educação/UFrgs No magistério estadual desde 1993 Em final de formação - Artes Visuais-UFRGS - Especialização em Mídias na Educação/cinted/UFRGS. Participante como Voluntária do grupo de estudos do N.E.S.T.A / UFRGS

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